Aos 31 anos de idade, oito deles como mixologista e bartender, Lucas Santos é responsável pela elaboração da carta de drinques do restaurante Terra, localizado no Parque Gourmet do Shopping Recife.

 Com estudos, pesquisas e prática, Lucas tem consolidado seu nome como um dos melhores profissionais do ramo no país, ficando entre os seis finalistas na competição World Class Brasil 2025.

 Para o Sunset Parque Gourmet, projeto que vem ocupando o novo espaço gastronômico do Shopping Recife todos os sábados, até 31/01, a partir das 17h, Lucas reservou uma surpresa para o público. Uma lista de nove coquetéis, que exemplificam sua criatividade, apurado senso estético e talento para a alquimia de ingredientes, está disponível durante o evento. Na entrevista abaixo, Lucas Santos fala sobre sua profissão e a arte de encantar pelo paladar para Flávia Gusmão.

Como é seu processo para criar um coquetel novo?

 

Meu processo começa sempre pelo contexto: onde esse drinque vai ser servido, para qual público e em que momento da experiência ele entra. A partir disso, penso no perfil sensorial — refrescante, intenso, aromático, leve — e escolho uma base alcoólica que converse com essa proposta. Depois vem a construção técnica: equilíbrio entre dulçor, acidez, amargor e textura. Por fim, faço ajustes finos até chegar a um drinque que seja autoral, mas fácil de entender e prazeroso de beber.

 Como vem a inspiração do nome que você vai dar para ele?

 

O nome normalmente nasce depois do drinque pronto. Ele pode vir de uma sensação, de uma memória, de um lugar ou até de uma referência cultural. Gosto que o nome ajude o cliente a imaginar o drinque antes mesmo de provar, criando curiosidade e conexão. Para mim, o nome faz parte da experiência tanto quanto a receita.

 Quais foram os drinques criados especialmente para o evento Sunset Parque Gourmet e quais os componentes ideais para um drinque de verão?

 

Para o Sunset, os drinques foram pensados para um clima descontraído, ao ar livre e com música. São coquetéis leves, refrescantes e aromáticos, com frutas frescas, cítricos, espumantes, sodas e destilados mais suaves. Os componentes ideais para um drinque de verão são acidez equilibrada, frescor, baixo teor alcoólico ou sensação de leveza, além de ingredientes que tragam perfume e facilidade de consumo. São eles Aperol Spritz, um clássico que é a cara do verão brasileiro; Ilha Dourada, uma criação exclusiva para esse dia composta por uma soda de caju artesanal, que fazemos aqui mesmo, no restaurante Terra, e o Moxotó, um drinque sem álcool que é uma soda da artesanal de capim santo com água de coco natural.

 O gosto do público local recai mais sobre que tipo de sabor?

 

O público local tende a gostar de sabores refrescantes, frutados e equilibrados, com boa acidez. Drinques muito alcoólicos ou excessivamente doces costumam ter menos saída. Existe também uma abertura grande para ingredientes tropicais e releituras de clássicos, desde que sejam acessíveis e bem explicadas.

 O que é necessário para se tornar um bom mixologista?

 

Além de técnica, é fundamental ter sensibilidade e curiosidade. Um bom mixologista estuda clássicos, entende ingredientes, respeita processos, mas também observa o comportamento do público. Hospitalidade, organização e consistência são tão importantes quanto criatividade. No fim das contas, o drinque precisa funcionar no copo e na experiência do cliente.

Os drinques sem álcool são uma tendência em alta?

Sem dúvida. Os drinques sem álcool deixaram de ser apenas uma alternativa e passaram a ser uma categoria própria. Hoje, o público busca sabor, complexidade e apresentação, independentemente do álcool. É uma tendência que veio para ficar, ligada a bem-estar, inclusão e novas formas de consumir coquetelaria.