Apontado pela revista GQ Brasil entre os 11 chefs mais promissores do país, Pedro Godoy, 34 anos, vem construindo uma trajetória marcada por identidade, técnica e visão empreendedora. Desde a abertura do seu primeiro restaurante, em 2019, ele tem ajudado a transformar a cena gastronômica do Recife com projetos de linguagens muito próprias. Atualmente comandando o Arvo, o Voar e o Terra, inaugurado em 2025 no Parque Gourmet do Shopping Recife, Godoy é mais que promessa. Em um momento em que a gastronomia busca novas construções conceituais, explorando sabores, texturas e insumos de forma mais livre, o futuro de Pedro Godoy é agora.
PERGUNTA – Você pertence a uma geração de chefs que já nasceu sob a lógica da experiência, da imagem e das redes sociais. Como manter a essência da cozinha autoral em um tempo em que restaurantes também precisam performar como linguagem visual e entretenimento?
PEDRO GODOY– A cozinha autoral não se perde pela imagem. Ela se perde quando a imagem passa a ditar o que vai para o prato. A ordem importa. O que a gente cozinha precisa existir primeiro como ideia, como técnica, como ingrediente com história. O que aparece nas redes é consequência disso, não a origem. Quando essa lógica se inverte, você começa a criar pratos para foto, menus para algoritmo. Aí sim você perde o fio. A minha referência sempre foi o que faz sentido dentro do contexto do restaurante, da sazonalidade, do produtor com quem a gente trabalha. Consequentemente isso gera uma imagem bonita. Bom produto + boa técnica, não tem como o resultado ser outro.
PERGUNTA – O Terra ocupa um espaço dentro do Parque Gourmet do Shopping Recife, um ambiente de grande circulação e diversidade de público. Você acredita que a alta gastronomia brasileira do futuro será menos elitizada e mais integrada aos fluxos cotidianos das cidades?
PEDRO GODOY – O que define sofisticação não é o isolamento, é a consistência. A retomada às origens na gastronomia é um movimento quase natural, alinhado ao momento que estamos vivendo como forma de consumo. É o cuidado com o ingrediente, com o serviço, com o que está no prato, independente de quem está do lado de fora. Se a gente consegue oferecer isso num ambiente de grande circulação, para um público mais diversificado, está fazendo algo mais relevante, não menos.
PERGUNTA – Existe uma tendência mundial de chefs transformarem restaurantes em plataformas culturais, e não apenas gastronômicas. Você se imagina criando projetos que dialoguem com arte, sustentabilidade, música ou formação social além da cozinha?
PEDRO GODOY – Já faço isso em menor escala, e tenho vontade de ampliar. O Voar tem obras de artistas do interior de Pernambuco, uma atmosfera que já respira cultura antes de qualquer projeto formal. O Arvo é completamente cultural por natureza, incluindo Sambarvo, que é uma roda de samba aos sábados, que faz parte do nosso calendário. Esse diálogo com arte, com o que é produzido aqui, sempre esteve presente. O jantar com o Ian Baiocchi no Terra também foi isso: não era só sobre dois chefs cozinhando juntos, era sobre duas leituras do Brasil se encontrando numa mesa. E tem um projeto em andamento que é um desejo antigo meu, algo que venho construindo há tempos. Em breve vocês vão descobrir.
PERGUNTA – Muitos chefs falam sobre resgate de ingredientes regionais, mas poucos conseguem transformar isso em impacto econômico real para produtores locais. O que ainda falta para a gastronomia nordestina ocupar um protagonismo mais estruturado no Brasil e no exterior?
PEDRO GODOY– Falta cadeia. Falta logística, regularidade de fornecimento, capacidade de escala sem perda de qualidade. Um chef pode querer trabalhar com um pequeno produtor do Sertão, mas se esse produtor não consegue entregar com consistência, o restaurante não consegue manter no cardápio. E sem permanência no cardápio, não tem impacto econômico real. Um exemplo simples: temos alguns dos melhores peixes do país aqui no Nordeste. E muitas vezes preciso comprar esse insumo de fora, porque o pescador local não tem nota fiscal, não tem SIF, não tem a estrutura mínima para fornecer para um restaurante com seriedade. Falta capacitação, falta acesso, falta alguém que chegue antes da gente e construa o caminho. O discurso do resgate está em todo lugar. A construção de uma cadeia produtiva que sustente isso é muito mais lenta e muito menos fotogênica. É o que precisa acontecer para o Nordeste ocupar um espaço estruturado. A gastronomia pode puxar essa conversa, mas não resolve sozinha.
PERGUNTA – Você construiu três operações ainda muito jovem. Hoje, o seu maior desafio é expandir, consolidar ou preservar identidade? Em que momento crescimento deixa de ser sinônimo de sucesso?
PEDRO GODOY– Consolidar, sem dúvida. Crescer por crescer nunca foi o que me motivou. O que me move é que cada casa funcione bem, que a equipe esteja formada, que o cliente que volta encontre o mesmo nível ou melhor. Quando o crescimento começa a comprometer isso, ele deixa de ser sucesso e vira problema de gestão disfarçado de ambição.
PERGUNTA – Daqui a dez anos, o que você gostaria que fosse mais lembrado sobre a sua trajetória: os pratos, os restaurantes ou a forma como ajudou a redefinir a cena gastronômica do Recife?
PEDRO GODOY– A cena. Os pratos mudam, os restaurantes evoluem ou fecham. O que fica é o que você ajudou a construir ao redor. Se daqui a dez anos o Recife tiver uma cena gastronômica mais densa, com mais chefs trabalhando com seriedade, com mais produtores sendo valorizados, com mais pessoas entendendo o que tem de extraordinário na cozinha nordestina, eu vou me sentir parte disso. Isso importa mais do que qualquer prato específico que eu tenha feito.
PERGUNTA – Arvo, Voar e Terra possuem propostas, atmosferas e linguagens muito próprias. Como você constrói identidades tão distintas para cada restaurante sem cair na repetição estética, conceitual ou criativa de si mesmo? Existe um “fio invisível” que conecta todos eles?
PEDRO GODOY– O fio existe, mas ele é de processo, não de estética. Os três partem do mesmo rigor com o ingrediente, da mesma recusa em colocar no prato algo que não tem razão de estar lá. O que muda é o vocabulário. O Arvo fala nordestino, com sotaque regional forte. O Voar fala contemporâneo, com mais liberdade técnica. O Terra fala brasileiro, com referências nacionais mais amplas. São três línguas que nascem do mesmo lugar. Evito a repetição porque cada casa tem uma equipe, um contexto, um público com quem ela conversa todos os dias. Se eu impusesse o mesmo em todos, perderia o que faz cada uma delas existir.
PERGUNTA – Em cozinhas profissionais, fala-se muito sobre técnica e excelência, mas menos sobre construção humana. Que tipo de liderança você busca exercer com sua equipe e como equilibrar alta exigência criativa com um ambiente saudável, capaz de formar e reter talentos?
PEDRO GODOY– Exigência e cuidado não são opostos, mas precisam ser construídos juntos, o tempo todo. Cozinha profissional tem pressão real, ritmo real. Não tem como fingir que não tem. O que eu tento fazer é ser claro sobre o padrão que espero e honesto quando ele não é atingido, sem humilhar, sem gritar, sem criar um ambiente onde as pessoas trabalham com medo. Medo não gera criatividade. Gera paralisia. Os melhores momentos que vivi dentro das minhas cozinhas foram com equipes que tinham orgulho do que faziam, não que tinham medo de errar. Esse é o ambiente que eu quero construir e, honestamente, ainda estou aprendendo a construir.

A Quinta do Vinho do Shopping Recife entra na segunda semana com mais uma adesão à programação: o tradicional restaurante Plim. Com 45 anos de história e funcionando desde a inauguração do Shopping Recife, o restaurante participa pela primeira vez da ação, na quinta-feira (21), apostando no vinho chileno Aura Cabernet Sauvignon como destaque da experiência. O rótulo, conhecido pelo perfil equilibrado, aromas de frutas vermelhas e boa estrutura, estará com 20% de desconto durante a ação: de R$ 69 por R$ 55,20.

Para acompanhar o vinho, o restaurante sugere combinações clássicas do seu cardápio, começando pelo carpaccio como entrada e seguindo com o Steak Jarocki — filé alto regado ao molho madeira, servido com talharim grano duro na manteiga. Reconhecido pelo ambiente acolhedor e pelo cardápio variado, o Plim reúne amplas possibilidades de harmonização e segue como um dos lugares favoritos para encontros de famílias e grandes grupos no mall.
Ainda dentro do mall, o Vasto e o Coco Bambu também integram a Quinta do Vinho com promoções especiais. Nas duas operações, os vinhos da casa — nas versões tinto e branco — estão com 50% de desconto durante o período da ação, ampliando as opções para quem deseja aproveitar a experiência enogastronômica proposta pelo Shopping Recife.



