A chegada do restaurante Teresita como a nona operação do Parque Gourmet – ao lado do Boteco Cia. do Chopp, Brûlée, Chiwake, Fazenda Churrascada, Terra, Toscana, Sushi Yoshi e Zio – vem acrescentar mais um matiz ao já colorido mix gastronômico do Shopping Recife. Dedicada à gastronomia espanhola, a casa tem o cardápio assinado pela chef Taciana Teti, contemplando as diversas regiões que fazem daquele país um incomparável mosaico cultural.
Taciana Teti tem toda intimidade com o tema. Formada em Artes Culinárias pela Universidade San Francisco de Quito, no Equador, foi na Espanha que cumpriu a etapa seguinte de seu aprendizado, aprofundando seu conhecimento em um cenário moldado pela diversidade de seus territórios, climas e culturas. Do País Basco à Andaluzia, da Galícia a Valência, cada região acrescenta seus próprios ingredientes, técnicas e modos de comer. E é justamente aí que reside o núcleo do Teresita.
PASSEIO INESQUECÍVEL PELA CULTURA GASTRONÔMICA
A ambientação nos remete, imediatamente, àquela Espanha calorosa e efervescente que todos nós trazemos no imaginário. Há a predominância de uma paleta terrosa – tons de marrom, ocre e vermelho –, complementada por móveis em madeira, couro e têxteis com estampas de influência mourisca. A presença árabe-andaluza permanece na cozinha espanhola até hoje e, no Teresita, ela é honrada por sua contribuição em ingredientes, especiarias, técnicas e combinações de sabores.
Um “passeio” pelo cardápio do Teresita nos lembra que, quando falamos em gastronomia, estamos indo além do ato de beber e comer. Estamos, na verdade, mergulhando num universo que nos situa como parte de um mundo vasto, desconhecido e maravilhoso. Algumas das palavras que aparecem ali nos lembram dessa premissa. Afinal, “salmorejo” não é um termo que faça parte do nosso vocabulário cotidiano. Decifrá-las e conhecê-las também é parte da grande diversão que é compartilhar uma mesa.
A tortilla com jamón y salmorejo aparece, justamente, no capítulo dedicado às tapas, um dos modos espanhóis mais característicos de brindar a vida. Ali estão reunidos o jamón, orgulho da gastronomia do país, e o salmorejo, preparação fria típica da Andaluzia, à base de tomate, pão, azeite e alho, de textura cremosa e sabor intenso. De copo em copo, de bocadillo em bocadillo, essa prática traduz um povo sempre em movimento, ávido por experimentar, descobrir e compartilhar.
No salão do Teresita, o bem-montado bar destaca-se pela beleza e funcionalidade. Impossível degustar uma Gilda sem pensar automaticamente num chope bem-tirado e supergelado. As Gildas são petiscos – ou pintxos, no vocabulário basco – compostos por azeitonas, anchova e as pimentas de picância moderada chamadas de piparras. Uma das versões sobre o nome dado a esse aperitivo é particularmente sedutora. O nome Gilda teria vindo do famoso slogan do filme homônimo de 1946, “Nunca houve uma mulher como Gilda”, usado na campanha publicitária que transformou a personagem interpretada por Rita Hayworth em um dos grandes ícones do cinema.
ARROZES ALCANÇAM O PATAMAR DA PERFEIÇÃO
Os arroces ocupam um lugar central na culinária espanhola, especialmente nas regiões do Mediterrâneo, onde o arroz se tornou base para preparações que vão muito além da conhecida paella. As receitas variam conforme o território, os ingredientes disponíveis e a tradição local, mas têm em comum o cuidado com o cozimento e a valorização do sabor concentrado. Entre elas, a paella valenciana talvez seja a mais emblemática, enquanto o socarrat – aquela camada de arroz dourada e crocante que se forma no fundo da panela, em contato direto com o calor – é uma das maiores preciosidades para quem conhece o prazer de raspar o fundo em busca dos sabores mais intensos. No Teresita, o socarrat de polvo grelhado com aioli já conquistou seu lugar entre os preferidos, enquanto as paellas aparecem nas versões marinera, vegetariana e arroz negro com frutos do mar.
A etapa do cardápio dedicada aos frutos da terra – filés bovino, suíno e de frango – abre-se para a inegável preferência do público pernambucano pela combinação de carnes e massas. São opções como o filé ao molho de vinho tempranillo, com nhoque de batata e salada verde – combinação curiosamente perfeita –; o lombo suíno recheado com queijo e presunto, escoltado por batatas e salmorejo; e a paleta de cordeiro em baixa cocção, servida com arroz preparado no próprio molho do assado. Não faltam motivos para voltar ao Teresita mais e mais vezes: o rabo de toro (rabada), cozido até a carne se desfiar, com purê de batatas e agrião, é apenas mais um deles.
DOS CHURROS À TORTA BASCA, MOTIVOS PARA VOLTAR
E, para finalizar, duas opções emblemáticas da gastronomia espanhola se destacam. Os churros, para serem degustados da maneira clássica: mergulhando cada um numa calda espessa de chocolate intenso. A torta basca, que está sendo mais conhecida entre os brasileiros, vem se tornando uma queridinha. De aparência escura e superfície tostada, quase queimada, ela esconde sob a casquinha caramelizada um interior cremoso e delicado. O contraste entre o tostado e a textura sedosa é justamente o que faz dessa sobremesa uma das mais cativantes representantes da confeitaria basca.

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