Qual sua estratégia para nutrir o corpo enquanto a alma se arrepia ao som de Vassourinhas? Alguns foliões preferem comer antes, outros, depois, os mais prudentes o fazem na ida e na volta dos blocos, shows, troças, festas e maracatus. Sorte a nossa que o Shopping Recife é hub de transporte para os principais focos da folia – e que o Parque Gourmet, com seus oito restaurantes, funciona das 11h30 às 22h para atender o público carnavalesco. Garimpamos cardápios com lupa e fome. O objetivo é oferecer sugestões que vão satisfazer todas as necessidades: conforto para quem precisa, leveza para encarar a maratona e, sobretudo, prazer que entra pela boca, espalha-se pelo corpo e desce para os pés, dando vigor para fazer o passo.

BOTECO CIA. DO CHOPP

 O almoço executivo do Boteco Cia. do Chopp vem a calhar para deixar todo mundo alimentado na medida. A vantagem, além do preço confortável, é que é possível escolher três acompanhamentos de uma lista bastante variada.

 Uma boa pedida é Burguer Blend Angus. Primeiro, porque são 180 gramas de carne nobre. Depois, porque vai à parrilha e ganha aquele defumado que a gente ama. O molho chimichurri lhe faz companhia. Para manter a refeição dentro dos parâmetros foliões (e não querer ir para rede descansar), sugerimos como guarnição: um ovo pochê, legumes na brasa e arroz sete grãos. Sua energia vai tomar conta da praça.

 

BRÛLÉE

 Não é à toa que esta marca abarca as denominações de “Café, Bistrô e Pâtisserie”. Praticamente todas as refeições – do café da manhã, que vira brunch, até o almoço, jantar ou um lanche noturno – estão contempladas em seu menu, que inclui itens de doçaria, confeitaria, padaria, viennoiserie, salgados, chocolateria e uma robusta cozinha quente.

 Os croissants são especialidade da casa e, quando recheados, combinam o carboidrato e a gordura característicos dessa massa laminada com proteína de qualidade. O croissant com salmão defumado, cream cheese, abacate, chutney de maçã, alcaparras e rúcula fresca é 10 de 10 para aqueles que apreciam a mistura doce-salgado. É tão perfeitinha que podem chamá-la de La Belle de Jour.

 

 

CHIWAKE

 Aquela paradinha estratégica para comer algo bem leve antes de brincar? A resposta certamente será encontrada no Chiwake. O chef Biba Fernandes, pioneiro na arte da culinária peruana no Recife, trabalha com maestria os frutos do mar, fontes altamente proteicas e com baixo teor de gorduras.

 Na volta para casa, quando o cansaço e a fome aumentam exponencialmente, o Kauã é um prato que cumpre com louvor a missão de alimentar sem pesar. E, também fazendo jus à origem da palavra “restaurante”, é uma composição que restaura as forças e a fé no amanhã, um novo dia de folia. Trata-se de um filé de peixe grelhado, que vem acompanhado por risoto de quinoa. Esse cereal andino, rico em magnésio, ajuda a aliviar cãibras e tensões. É um verdadeiro “Me segura senão eu caio¨.

 

FAZENDA CHURRASCADA

 Tenho certeza de que todos pensaram que a indicação aqui seria voltada exclusivamente para os prazeres da carne. Afinal, é impossível falar desse empreendimento que escolheu o Parque Gourmet para sua estreia no Nordeste sem mencionar seu carro-chefe. A parrilha a lenha é a estrela: assa devagar, defuma com paciência e entrega sabor em estado bruto.

 Mas, para além do Denver Steak, das fraldinhas e picanhas suculentas, os vegetais que saem da parrilha contemplam veganos, vegetarianos e ainda vão deixar os onívoros querendo mais um bocadinho. Os lactovegetarianos podem apostar sem hesitar na beterraba assada na brasa, servida com sour cream; todos vão se deliciar com as completíssimas saladas: a Juliana reúne folhas, cenoura, parmesão, tomate, mandioquinha palha, alcaparrones e palmito pupunha e a Salada do Campo traz com destaque a piporca, que é um torresminho bem crocante. É para ouvir “Arreia a lenha” na voz de Almir Rouche.

 

SUSHI YOSHI

 A paradinha para o almoço é aqui. E isso porque o Sushi Yoshi, do chef André Saburó, tem um coringa no cardápio desse horário: o Donburi. Esse prato tradicional japonês coloca na mesma tigela o arroz gohan e uma proteína à escolha do freguês.

 As combinações se sucedem, variando em complementos que acrescentam texturas e camadas de sabor. O Katsudon Atum, por exemplo, é composto por um hamburguer empanado de atum com maionese de ponzu e salada de repolho montados sobre o arroz. O Sukiyaki Petit vem com fatias de filé mignon na manteiga, tofu, acelga, cebola, cenoura e macarrão japonês em molho shoyu levemente adocicado. O arroz também está junto. Completo. Redondo. Resolvido. Pedimos licença ao Galo e entoamos: “Yoshi, eu te amo, sou apaixonada por você”.

 

TERRA

 O chef Pedro Godoy, mago das mil e uma invenções, transita com desenvoltura entre os pratos mais “raiz” e aqueles com conceito e técnicas sofisticadíssimas. Na primeira categoria está o frango assado. Simples? Tratando-se de Godoy nunca é. Coxa, sobrecoxa e peito são marinados em pimenta chipotle e páprica, assados lentamente e finalizados na brasa. Recebe um aveludado molho romesco (à base de tomates e pimentões assados). Como acompanhamento, arroz jasmine, salada verde, farofa de bacon e batatas defumadas. É para dividir com o coleguinha.

 Na segunda categoria está o Peixe com Cebola. Mais uma vez, não se deixe enganar pela descrição modesta dessa receita. O pescado do dia é grelhado, servido com cogumelos confitados, purê de couve-flor e molho de cebola, na companhia de arroz de brócolis. É como diz a canção: “Não quero oito, nem oitenta. Eu quero o bloco do prazer. E quem não vai querer?”.

 

TOSCANA FORNERIA

Aqui a gente chegou na pátria da Confort Food (ou seria na praia?). A culinária italiana, especialidade do restaurante Toscana, é tida e havida como aquela que dá colo e aconchego de nonna. Massas entregam energia rápida, são de digestão amigável e repõem o estoque de energia que o sobe-e-desce das ladeiras consome sem dó.

 Embora você, folião, não seja exatamente um maratonista em vésperas de prova, a demanda para quem se esbalda nas ladeiras de Olinda pode ser bem puxada. Para equilibrar as contas, as preferências devem recair em molhos simples, com pouca gordura e, idealmente, sem o uso de creme, para não complicar no dia seguinte. Fica a dica: a salada de carpaccio, para o “antes”, é bem servida; o polpetone recheado com muçarela de búfala servido com espaguete e molho de tomate, para o “depois”, acerta no alvo. Vai ter chuva, suor e cerveja? Vai. Mas vai ter massinha também.

 

ZIO CUCINA

 O Zio é muito procurado pela extensão e variedade de seu cardápio, por isso serve tão bem ao horário estendido que envolve o Carnaval pernambucano: cada um vai na hora que mais lhe apetece.

 Para se preparar antes de pegar o transporte expresso para a folia, dá para começar bem de leve com as opções de saladas, como a que leva rosbife, mix de folhas, tomate, cebola e queijo parmesão. O Steak de Atum guarnecido com purê de macaxeira é o encontro perfeito entre mar e terra. A lasanha que substitui a massa de trigo por palmito fresco, com molho à bolonhesa feito com patinho (uma carne magra), dá um suporte àqueles que não saem do prumo nem no Carnaval. Faça chuva, faça sol, o pernambucano quando encara o Reinado de Momo é como o Zio:  pau para toda obra. Madeira de lei que cupim não rói.